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14/10/2019 - 15h45Comsiv promove palestras sobre violência domésticaEventos foram levados aos profissionais em seus locais de trabalho

Parte dos funcionários do Arquivo Central do TJMG com a assistente social Gesiene Aparecida Cordeiro (C) A Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comsiv) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) promoveu, na última semana, três palestras de conscientização sobre violência doméstica e intrafamiliar. Os encontros foram realizados em parceria com o Serviço Social da Indústria da Construção Civil (Seconci-MG). As exposições, que ficaram por conta da assistente social Gesiene Aparecida Cordeiro Reis, foram realizadas em um canteiro de obras da EPO Gestão e Solução de Obras e no Arquivo Central do Tribunal de Justiça, em Contagem. A palestrante é mestre em promoção da saúde e prevenção da violência pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). De acordo com a pesquisadora, o tema foi abordado de forma diferente, sem focar, por exemplo, na crítica aos agressores, na Lei Maria da Penha e nas punições legais a condutas violentas. “A estratégia foi falar como mulheres e homens podem evitar se tornar, respectivamente, vítimas e agressores. Foi feita uma construção coletiva, tocando a vivência das pessoas, mostrando o caminho da prevenção e fazendo com que as pessoas se sentissem não julgadas, mas valorizadas”, conta Gesiene. Metodologia Para conduzir o assunto, a palestrante utilizou a metodologia das rodas de conversa de aprendizado, que proporcionam a abordagem simultânea de persos temas. Essa forma de diálogo leva aos participantes segurança social e psicológica, construindo um espaço propício para exposição de experiências. A assistente social afirma que esse método ajudou no sucesso das experiências. Houve grande adesão dos participantes, em sua maioria homens, mesmo tratando-se, na maioria das vezes, de um problema deflagrado por  ações masculinas. Em relação ao comportamento dos homens, a estudiosa explica que percebe, através dos atendimentos e palestras, que eles também estão fragilizados e ainda não sabem que precisam buscar ajuda. “Essa fragilidade se torna externa quando os homens praticam atos de violência, seja ela física ou psicológica”, argumenta. Aprendizado “Muitos pareciam não entender que um empurrão, um tapa, poderiam ser configurados como violência. Eles começam a refletir e aí fazemos um convite para que eles busquem ajuda, caso identifiquem alguma situação em que eles percebam estar necessitando de um cuidado ou tendo dificuldade de lidar com os desafios”, explica. A palestrante ressalta que os efeitos da violência doméstica repercutem de forma negativa sobre todos os membros da família, ocasionando tensão, instabilidade e o adoecimento não só das pessoas envolvidas diretamente, mas também das que se relacionam com os envolvidos no conflito. Com base em sua experiência acadêmica com o tema, Gesiene Cordeiro diz pensar que uma das soluções é cuidar dos relacionamentos, para que eles sejam repletos de respeito. “Se identificarmos que uma relação tóxica está presente, é preciso encontrar estratégias para romper com o ciclo de violência”, pontua. Segunda turma dos funcionários do arquivo do TJ: Gesiane (embaixo, 2ª da D) usou rodas de conversa de aprendizado para compreensão dos conceitos   Participação Na avaliação de Gesiene Cordeiro, nas três turmas as pessoas criaram uma atmosfera de respeito e se sentiram seguras para falar sobre suas vidas. “O trabalho de prevenção da violência foi muito produtivo”, conta. Segundo a profissional, no primeiro momento, quando a técnica de segurança do trabalho da EPO informou o tema das rodas de conversa aos trabalhadores do canteiro de obras, eles se assustaram e começaram a fazer vários questionamentos. Mas, quando a assistente social apresentou a proposta de debate informal e coletivo e iniciou a conversa, os operários se sentiram valorizados e participaram de forma ativa, relatando experiências vividas em suas casas ou casos de pessoas próximas a eles. Gesiene contou também que um dos participantes disse que naquele mesmo dia iria aplicar a experiência em sua casa e local de trabalho. “Foi uma situação sensacional, a experiência nos faz crescer e ver que precisamos fazer a diferença onde passamos. E é isso que eu busco”, empolgou-se. Gesiene (de camisa branca) com os operários da empresa EPO A palestrante parabenizou o Tribunal de Justiça por realizar esse trabalho, dando a oportunidade para os profissionais contribuírem para a construção em rede de uma sociedade mais justa e menos violenta. “Foi uma experiência enriquecedora. Acredito que uma das estratégias de superação da violência é o trabalho focado na prevenção e na promoção da saúde das pessoas”, conclui. Retorno positivo De acordo com a coordenadora do Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça, Irani Fátima Pires Pereira, “a conscientização de que essa situação pode estar acontecendo dentro do próprio lar ou com uma pessoa próxima nos levou a ter uma visão voltada para a autoavaliação e a autocrítica. Tivemos ciência de que podemos buscar apoio dos entes públicos, principalmente por meio do Serviço Único de Saúde (SUS), com ferramentas como o tratamento psicológico”, diz. Dessa forma, avalia a coordenadora, consegue-se abordar o assunto de modo leve e profundo, buscando uma compreensão inpidual, algo que é bem diferente da simples interpretação de atitudes nossas ou dos outros. Devido ao retorno bastante positivo dos funcionários, Irani Pereira solicitou que, sempre que houver alguma palestra sobre o tema no TJMG, elas sejam levadas para a equipe do Arquivo Central.  
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