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11/04/2019 - 17h46Ex-policial é condenado novamenteComerciante acusado de ser o mandante também foi condenado

O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como “Bola”, foi condenado por júri popular a 16 anos. O julgamento durou dois dias e terminou nesta quinta-feira, dia 11 de abril, no 3º Tribunal do Júri de Belo Horizonte. Ex-policial Marcos Aparecido é condenado a mais 16 anos de prisão pela morte de motorista Marcos Aparecido é acusado de matar um motorista em julho de 2009, no bairro Juliana, região norte da capital, juntamente com comerciante Antônio Osvaldo Bicalho, também condenado na mesma sessão. Condenado como mandante do crime, o comerciante deve cumprir pena de 14 anos de prisão, em regime fechado. Já o ex-policial foi condenado a 16 anos, acusado de ter sido o executor do crime, a mando do comerciante. Os jurados acataram a da acusação, de que o ex-policial foi o autor dos disparos de arma de fogo que mataram o motorista. O júri popular no Fórum Lafayette foi presidido pela magistrada Myrna Fabiana Monteiro Souto. O crime De acordo com a denúncia do Ministério Público, o motorista foi assassinado porque supostamente tinha um envolvimento amoroso com a esposa do comerciante. O homem descobriu o relacionamento extraconjugal e, segundo denúncia do Ministério Público, contratou o ex-policial para executar o amante da companheira. Pelos relatos dos autos, no dia do crime, o motorista caminhava distraidamente, próximo à sua casa no bairro Juliana, quando foi abordado pelo ex-policial, que o cumprimentou para se certificar de sua identidade e, logo após, atirou e fugiu em seguida. Interrogatórios Diante dos jurados, os dois réus negaram o crime. O ex-policial insistiu que sequer conhecia o comerciante e o motorista. Ressaltou que foi envolvido porque o delegado que investigava o crime, o mesmo que investigou a morte de Eliza Samudio, tem uma rixa antiga com ele, por conta de desavenças na época em que se conheceram na Academia de Polícia Civil. Já o comerciante Antônio Bicalho foi enfático ao reafirmar que nunca teve contato com o ex-policial Marcos Aparecido, até ser acusado pelo crime. Ele disse a juíza que acredita que foi usado pelo delegado para corroborar a acusação contra o ex-policial. Debates No segundo dia de julgamento do ex-policial Bola no Fórum Lafayette, o Ministério Público teve a palavra por 2h e meia. O promotor Valter Shigueto Moriyama se baseou em provas testemunhais para tentar mostrar que o comerciante contratou o Bola para matar o então amante de sua esposa. Ele quis ressaltar a relação entre o mandante e o executor no crime. A partir dos relatos, a promotoria revelou que os três tiros que mataram o motorista foram dados por um profissional, dada a precisão dos disparos e a frieza do atirador. O promotor disse que o ex-policial tem “experiência em matar e também em atirar” e lembrou em plenário as duas condenações criminais que o ex-policial já tem, uma pela morte de Eliza Samudio e outra pela morte de um carcereiro em Contagem. A acusação ainda usou palavras das testemunhas para mostrar que o comerciante falou para a então esposa que ia acontecer uma tragédia. Ela ficou com medo que ele fosse mandar matar sua irmã e pediu a ele para não fazer isso. Foi aí que o comerciante disse: “fique tranquila, quem vai morrer não é sua irmã não, é outra pessoa”. Já as defesas de Antônio e Marcos tiveram 1h e meia, para cada acusado. Os advogados Ércio Firpe Quaresma destacaram a fragilidade da investigação, que explorou apenas a tese de crime passional. Ambos criticaram que não se investigou, por exemplo, a ligação do homicídio com uma grande apreensão de drogas e armas que tinha ocorrido em um imóvel da vítima, e que levou à prisão de um casal que tinha alugado o imóvel meses antes. O advogado do ex-policial ainda questionou a incoerência do depoimento das principais testemunhas com as provas técnicas, dentre elas a de balística e quebra de sigilo bancário e telefônico, que não relacionaram o crime a seu cliente. O comerciante poderá aguardar o recurso em liberdade. Porém, Marcos Aparecido dos Santos, apesar de a juíza conceder-lhe o direito de recorrer em liberdade,  vai continuar preso na Casa de Custódia da Polícia Civil, na capital, onde está preso desde 2010. Em 2013, ele foi condenado em outro processo criminal, pelo desaparecimento e morte em julho de 2010 de Eliza Samudio, ex-namorada do goleiro Bruno, então jogador do Flamengo. Veja a movimentação do processo nº 0024.09.661.637.0
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