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08/02/2019 - 12h20Empresas são condenadas por defeito em carroConsumidor receberá cerca de R$ 11,5 mil por danos morais e materiais

A Strada Veículos e Peças Ltda e a Fiat Automóveis Ltda foram condenadas a pagar R$ 10 mil por danos morais e cerca de R$ 1,5 mil por danos materiais a um consumidor que adquiriu um carro zero que apresentou pane elétrica, pouco mais de oito meses após a compra. A decisão é da 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que manteve sentença proferida pela Comarca de Conselheiro Lafaiete. O autor da ação narrou nos autos que comprou o veículo Fiat Punto Attractive 1.4, zero quilômetro, em 27 de dezembro de 2010, no valor de R$ 29.522,20. O carro foi adquirido com isenção de IPI e ICMS, pelo fato de o consumidor ser portador de deficiência, e só lhe foi entregue em 19 de fevereiro de 2011. De acordo com o comprador, para atendimento de suas necessidades especiais, o veículo passou por modificação de suas características originais. Em 24 de outubro de 2011, ainda dentro do período de garantia, o veículo apresentou "pane elétrica" e, nos dias subsequentes, persos outros vícios, que não teriam sido sanados a tempo e modo pela rede assistencial da fabricante. Condenação e recurso Em 1ª Instância, as empresas foram condenadas a indenizar solidariamente o consumidor, por danos morais e materiais, num total de aproximadamente R$ 11,5 mil. Diante da sentença, ambas as rés recorreram. A Strada sustentou que não contribuiu para os vícios que o carro apresentou e tampouco realizou reparos no veículo, não podendo ser responsabilizada pelos sequenciais problemas apresentados pelo produto. Argumentou ainda que o cliente não apresentou provas dos danos materiais a serem indenizados, questionando também os danos morais e o valor arbitrado para essa indenização. A Fiat, por sua vez, alegou que não havia fundamento jurídico no pedido do consumidor, uma vez que todos os problemas apresentados pelo veículo tinham sido efetivamente solucionados. Afirmou ainda que prestou a assistência técnica devida, com a substituição de itens eventualmente defeituosos e a garantiu os serviços necessários à solução do problema. Obrigação solidária Ao analisar os autos, o relator, desembargador Alberto Henrique, observou que documentos indicavam que o consumidor comprou o carro no estabelecimento comercial da Strada. “Como se sabe, o Código de Defesa do Consumidor impõe à cadeia de fornecedores obrigação solidária de indenizar por danos causados pelos fatos do produto ou do serviço”, observou. Observando ter ficado comprovado que o carro de fato apresentou persos problemas, que não foram solucionados de modo integral, no tempo devido, cabia às empresas o dever de indenizar o consumidor pelos danos provocados. Como o autor da ação demonstrou, por meio de contratos de locação, que gastou R$ 1.556,10 com aluguel de automóveis, nos períodos em que o veículo que comprou esteve em manutenção, esse valor deveria ser ressarcido pelas empresas. Quanto ao dano moral, na avaliação do relator, o fato de o produto ter apresentado persos problemas não devidamente reparados, “não pode ser considerado como fato corriqueiro ou mero aborrecimento.” Entre outros pontos, o relator ressaltou ainda que o veículo tinha sido devidamente adaptado para atender às necessidades especiais do consumidor. “Sendo assim, a ineficiência das rés em solucionar os vícios no automóvel adquirido geraram grandes prejuízos ao autor, sendo inegável, portanto, o dever de indenizar.” Para o relator, o caso não configurava “um mero descumprimento contratual, mas, sim, um total descaso para com o consumidor, devendo a empresa ré atuar com mais presteza para atender aos interesses de seu cliente.” Considerando adequado o valor fixado pelos danos morais em 1ª Instância, com base no grau de culpa, nível socioeconômico das partes e porte da empresa, manteve a sentença. Os desembargadores Rogério Medeiros e Luiz Carlos Gomes da Mata votaram de acordo com o relator. Confira a íntegra da decisão e a movimentação processual.
08/02/2019 (00:00)
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